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Veículos adaptados, desfiles de moda com modelagem especial, computador controlado pelo movimento dos olhos, elevador para piscinas, atividades esportivas, livros infantis impressos em braille e com imagens em relevo, tudo isso pode ser encontrado, a partir desta quinta-feira (12), na 11ª Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade (ReaTech), a segunda maior feira de acessibilidade do mundo, que ocorre até domingo (15) no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo.

O operador de caixa e estudante de fisioterapia, Bruno Ricardo Rodrigues da Silva, pela primeira vez visitando a feira, decidiu participar de uma corrida em cadeira de rodas para sentir a dificuldade que um cadeirante tem ao usar esse tipo de equipamento. “Nunca tinha sentado em uma cadeira de rodas. É bem gostoso, bem diferente. É uma sensação estranha no começo, sem poder mexer as pernas para poder virar a cadeira de rodas ou poder olhar para trás. Foi bem interessante porque vi a dificuldade deles [das pessoas com deficiência]. Participando disso, percebi quais as dificuldades que eles têm”, disse.

Uma arena esportiva foi montada pela Associação Desportiva para Deficientes (ADD), entidade sem fins lucrativos que tem o objetivo de promover o desenvolvimento da pessoa com deficiência por meio do esporte e da educação. “Desenvolvemos [na arena esportiva instalada na feira] atividades de quadra, convidando entidades de todo o Brasil para fazer apresentações de várias modalidades paraolímpicas como vôlei, basquete e futebol. Assim, podemos contribuir para que as pessoas tenham a oportunidade de praticar alguma modalidade”, declarou Sileno Santos, coordenador de Esportes da ADD.

No estande da Fundação Dorina Nowill para Cegos, os visitantes são convidados a “ver a vida com outros olhos”. A ideia da fundação foi instalar diversas atividades sensoriais para estimular os cinco sentidos. “Assim, a gente começa a perceber que, sem a visão, há outras possibilidades também”, disse Adriana Kravchenko, gerente de Marketing e de Comunicação da fundação.

Anderson Luis Nascimento, funcionário público e deficiente visual, foi um dos participantes da atividade que estimulava o olfato. “Foi um exercício legal. A gente aguça mais o olfato”, disse. A fundação também colocou á disposição dos visitantes uma coleção de livros voltados para as crianças.

“Uma grande novidade da feira são os livros infantis em textos ampliados e em braille, além de ilustrações em relevo. É uma coleção de dez livros para todas as crianças, não somente para as que têm deficiência visual. São livros que servem para os pais lerem para as crianças, com deficiência ou não, para os professores aplicarem em salas de aula e para as próprias crianças”, explicou Adriana Kravchenko. Todos os livros foram distribuídos para 5 mil bibliotecas públicas de todo o país.

“A criança com deficiência visual só consegue ter uma percepção da letra e da parte de alfabetização por meio do braille. Tendo recursos para poder ler, ela consegue se alfabetizar. Por isso, é muito importante ter livros em braile para crianças”, ressaltou.

O livro atraiu a curiosidade de Elaine Alves da Silva, de 23 anos, que tem deficiência visual e não escuta por um dos ouvidos. Tateando o livro, Elaine disse tê-lo achado “muito lindo”. “Um livro como este ajuda na educação porque incentiva a criança a aprender a ler e a escrever”, disse. “Amo [ler]. Só não leio mais porque não há livros [adaptados]”, disse.

A mãe de Elaine, Severina Farias da Silva, lembrou que o processo de alfabetização da filha ocorreu com muita dificuldade por causa da falta de material escolar adaptado. “Acho isso [livro infantil em braille] muito importante, principalmente para as crianças que estão vindo agora. Na época dela não tinham esses livros”, declarou.

Dados do Censo de 2010 indicam que 23,9% da população brasileira têm algum tipo de deficiência, o que representa um universo superior a 45 milhões de pessoas. Na cidade de São Paulo, a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida decidiu fazer um censo, este ano, para conhecer as regiões com o maior número de pessoas com deficiência. Os dados serão usados para a criação de políticas públicas voltadas para a acessibilidade e a inclusão.

Formulários

“O censo vai nos dar a fotografia de como se encontra o deficiente na cidade, em que lugar e em que região [está instalado] e sobre a sua família. [O levantamento vai informar] se ele tem escolaridade, o tipo de deficiência, a renda e os problemas de acessibilidade que ele encontra no bairro”, disse o secretário Antonino Grasso.

A secretaria já está enviando formulários a todas as residências cadastradas no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Segundo o secretário, foram expedidas 2,4 milhões de correspondências contendo um formulário de apenas uma página que deve ser preenchido e devolvido pelos Correios, sem custo para as famílias. Os formulários também podem ser encontrados nas subprefeituras e no endereço eletrônico www.censoinclusão.sp.gov.br.

“Temos 93 bairros na cidade de São Paulo. Se pudermos saber quantos deficientes tem na Vila Prudente, por exemplo, vamos ter condições de criar políticas públicas que virem realidade e não fiquem só no papel. Poderemos ver se lá têm escolas e postos de saúde suficientes e se há transporte público adequado, por exemplo”, disse.

No ano passado, o setor de produtos e serviços para reabilitação movimentou cerca de R$ 1,5 bilhão. Desse total, R$ 200 milhões foram só com a comercialização de de cadeiras de rodas e R$ 800 milhões em automóveis e adaptações para veículos.

Fonte: Agência Brasil

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